Tudo que
sobe
Desce
Num salto
Terraço
Tudo que cai
Some
Num susto
No universo vasto
Todo som
Se propaga
No vento
Que sopra
Uma lágrima
Num sopro
Frio
Num
instante
Medo
Calafrio
No outro
Momento
Nada, vazio
Nada
É onde
Tudo
Acaba.

Ricardo Villar de Deus


A estrela da
manhã, luz vespertina,
Cicerone da
solidão do pobre viajante,
Que vagueja
perdido entre montanhas verdejantes,
As quais
conduzem para o centro duma cidadela libertina.
Há homens,
mulheres, animais lucífugos, vivendo isolados,
Um mundo
desconhecido de todos, um mundo afastado de Deus;
Na “Cidade
Perdida” não há salvação, não há luz, somente breu,
Onde todos
são como são, néscios, perversos e degradados.
Na “Cidade
Perdida” há bosques negros, perdidos no tempo, misteriosos,
Ouvem-se
vozes graves, doentias, das profundezas, sussurrando por toda parte;
Poucos
retornam, mas todos adentrarão o “Bosque da Solidão”, cedo ou tarde,
E as vozes,
revelarão seus próprios pecados, através de gritos nervosos.
Existe para
além do bosque, um imenso precipício, chamado “Salto do Suplício”;
Região árida e infértil, habitada por seres
hediondos e estrelas decadentes,
Onde cada ato transforma-se em
“Herança Rancorosa” para seus descendentes,
E a sua herança, pensamento aflito, será meu malévolo e odioso vício.
A cidade é dividida pelo “Rio da Misericórdia”, com águas de sangue negro e
salgado,
Que nasce no topo da montanha mais alta do “Vale
do Feiticeiro”;
Lá estão acorrentadas crianças, abandonadas, em
desespero,
Num pranto sem fim, e os habitantes sobrevivem
das águas do riacho amaldiçoado.
Há apenas uma criança vivendo na cidade, doce
criança,
Que caminha sobre as águas, e cada passo seu,
muda o tom do riacho;
Possui o poder nas alturas, possui o poder aqui
em baixo;
Ela traz uma insígnia em sua face que significa “Lembrança”.
Na “Cidade Lúgubre” as casas exalam mofo, os porões são moradias,
As almas são inquietas, vivem ébrias, eternamente atormentadas, amargamente
lascivas,
Oh! Habitantes desesperados, sagrado vossos pecados, benditas paixões
corrosivas;
Saibam que a dor que mora em vossos corações, que fazem chorar, é a mesma que
anistia.
Na “Cidade Soturna” são todos sombras de almas mortas,
Escravos do desejo, espectros taciturnos, despossuídos de razão,
Anjos negros de bandeiras rotas, vítimas da paixão,
Donos de terras mortas, onde nem a cruz, nem a rosa brota.
Os seres da “Cidade Perdida” se alimentam de carne crua,
Bebem vinho ao lado de Dionísio e Epicuro,
Em meio às sombras dos anjos, escondidos, no escuro;
Eles não dormem, vagam angustiados pela noite, em becos, nas ruas.
Foi o Senhor quem me enviou a tal lugar,
Ele sabe de todos os pecados, de todos os sentimentos,
A “Cidade Perdida” é conhecida como a “Cidade do Lamento”,
E eu permanecerei aqui, toda a eternidade, a te desejar

Na paisagem lúgubre de uma floresta,
Clamei pelo supremo Deus divino
E como resposta minha própria voz quando menino.
Sem entender supliquei aos céus um sinal...,
Ouvi um sussurro em forma de brisa que tornou-se temporal,
Um calafrio aterrorizante senti naquele momento,

Logo instalou-se a calmaria e Deus não estava no vento.
Como conquistador feroz sedento por batalha
Gritei com fúria “ – Sua insígnia ou minha navalha !”
E nada, nada além de sangue dor e pesar... !
Triste, tornei ao lar,
E em seus olhos e abraços benditos
Finalmente encontrei o Deus infinito.


Para Juliana
Ainda mais uma vez Juliana,
Aquela de sorriso largo e encantador,
Que me roubou o amor e deixou a lembrança.
Ah... ! Nada tão belo como ela .
Grito para o alto para ver se minha voz ecoa
na lua cheia : - Juliana eu
te amo, eu te amo !
Noite, amiga noite, me ensine ser assim impassível, quieto,
Dançar como criança despreocupada,
junto do céu, junto das
estrelas;
Porque logo mais estarei velho ou dormindo,
Os braços pregados numa cruz de madeira apodrecida,
com pregos enferrujados.
Eu, que ainda não tomei anti-tetânica.
Parece que todos estão correndo uma maratona sem fim
e só eu permaneço em êxtase com tudo isso,
com mil perguntas me perturbando, mil perguntas sem respostas.
Apenas sentado, alheio a tudo, pensando em pensar. Uma longa inércia.

A vida já passou ou será que ainda nem chegou ?
De novo é dia.
Ou não anoiteceu ainda.
Juliana .
Juliana foi a flor mais linda que nasceu na minha imaginação
( talvez, a mais elegante que existe ou existiu no mundo )
Flor ruiva, com sardas, com a cabeça cheia de certezas !
Se eu fosse uma estrela, brilharia toda noite só para ela –
lá de cima. Todas as noites. Por toda minha vida.

Para Christine


Tu és para mim o que o Rio Nilo é para o Egito;
Ao teu lado sinto todo o perfume da beleza da vida;
És a flor no deserto, a lua refletida no lago,
O sol que aquece meu peito enamorado.
Teu sorriso – e não canso de lembrar do teu sorriso –
É como o candeeiro que ilumina meu caminho
E me conduz até os segredos mais profundos dos teus olhos,
Até o instante em que o mundo subitamente para de girar,
Num momento mágico...
...Descubro o mistério doce dos teus lábios e desvendo tua alma
Que é cheia de vida – e me encontro dentro dela,
Como se eu há muitos séculos vivesse dentro de ti,
E tu fosses parte inseparável de mim,
E então sonho acordado toda vez que escuto tua voz
Ou ouço teus passos se aproximando.
E quando te vejo entrar, penso em ir ao teu encontro e te dizer:
“- Abraça-me forte, beije-me da maneira como você nunca beijou ninguém,
como se fosse a última coisa a fazer na vida, como se fosse a única coisa a fazer...
e esqueça todo o resto, deixe o mundo girar,
jamais seremos tão jovens como agora.”
Esperei minha vida toda por esse momento que te vejo assim...
Tão próxima de mim mas tão impossível de tocar,
Tu és minha alegria, minha melancolia, minha lei,
Meu pecado e meu crime...
Mil vidas viverei até conseguir esquecer-te, Christine...
E não sei se realmente um dia conseguirei.

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