Vende-se um Vestido

 

 


Vende-se um vestido preto,
Bordado com lágrimas de vinho,
Costurado com traços de prazer

 

 

 

 

 

 

Rendado com ósculo ao luar.


Tem o odor da noite,

Afago e açoite.
Seu tecido acariciado,

Nos botões, rebento de gato.

Em retratos foi pintado,
Já fez inquietos enamorados.

Sua historia é da boemia,

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Os decotes de fantasias.

Um vestido vivo,
Andou entre os mortos,
Freqüentou os botecos da Rua Augusta,
Os laços acorrentam as lutas.


É de genuína seda...
Como seda a película que já o gastou.
É de picante sensualidade...
Pois libertina foi sua casualidade.

 

Traz na etiqueta o verbo inspiração,
Abandonou bardos pacientes do coração.
É um vestido alongado...
Tão comprida é sua reputação.


Adormeceu em cabeceiras de hotéis
Amassado em cima de tonéis.
Um vestido que consecutivamente se vestia,


Com o vulto mais soberbo de Virgem Maria.


Atualmente está no armário,

Confinado com livros de Kerouac e Neruda.

Adormecendo em densa alquimia...
Do lisérgico amor.

 

Poema:  Eliseu Cf
locução Cicuta : Cicuta
musica Ded Can Dance

 

 

 

 

 

 




 

 

 



 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Detalhes da Instalação

ele sempre me vence

E o meu agradecimento especial para
Marcos Oliva
que me ajudou na gravação do poema
 

 

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