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O conteúdo dos poemas aqui apresentados como:  palavras termos, intenções são originais dos autores,copiados na integra

 


 Eliseu CF
 


.Vende-se um vestido
.Morto Pela Primeira e Ultima Vez
.Flores com Manchas
.Ladrão do Que é Belo
.Febre da Madrugada cura Vinho Barato
 
.Gótico um Poema Noturno
.Maquiagem Umbrosa.

Vende-se um Vestido
 
 

Vende-se um vestido preto,
Bordado com lágrimas de vinho,
Costurado com traços de prazer
Rendado com ósculo ao luar.
Tens o odor da noite,
Afago e açoite.
Seu tecido acariciado,
Nos botões, rebento de gato.

Em retratos foi pintado,
Já fez inquietos enamorados.
Sua historia és da boemia,
Os decotes de fantasias.

Um vestido vivo,
Andou dentre os mortos,
Freqüentou os botecos da Rua Augusta,
Os laços acorrentam as lutas.

É de genuína seda...
Como seda a película que já o gastou.
É de picante sensualidade...
Pois libertina foi sua casualidade.

Traz na etiqueta o verbo inspiração,
Abandonou bardos pacientes do coração.
É um vestido alongado...
Tão comprida és sua reputação.

Adormeceu em cabeceiras de hotéis,
Amassado em cima de tonéis.
Um vestido que consecutivamente se vestia,
Com o vulto mais soberbo de Virgem Maria.

Atualmente está no armário,
Confinado com livros de Kerouac e Neruda.
Adormecendo em densa alquimia...
Do lisérgico amor.

                                                                                                            

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Morto Pela Primeira e Ultima Vez

 Olho para o meu corpo...
 Pela singular e rematada vez...
 Pintado ao solo com pinceladas de fúria...
 Traz na moldura, tinta rubra de sangue... meu verniz.

 Francamente já não sei se era isso que queria!
 Abafar o ar, perder a existência.
 Não sei o linguajar da morte... não aceito o seu universo.
 Não sei nadar em flúmen com sanguessugas.

 Cadê aquela ave de fogo que me levanta em noites de pesadelos?
 Será que uma ingênua gota de negritude apaga seu fogo?
 Ou meu deus (eu) já não reconhece a própria vida?
 Questões das minhas palavras cruzadas de estorvos infinitos.

 Banquetes de vidas....
 Condimento traficado pelo mal, comprado pelo bem.
 Observo minha casca agora com sal grosso em magistral sol da ignorância...
 Meu couro abraça a pouca fração de benevolência.

 Estou morto lá, circulado de vidas que assistem.
 Proclamam por dentro a fenomenal morte do próximo...
 Em pé assistem jogando flores de consagração...
 Em vida jogavam somente espinhos, em morte fingem com flores.

 Sempre morri em vida como pétalas que caem aos poucos...
 Porém hoje me arrancaram a raiz com faca aguçada de invídia.
 O vazo de arquimilionária porcelana foi infernizado pelo barro da vida.
 Minha raiz foi extraída sem anestesia em uma cirurgia de psicopatia.

 Vejo ali o pouco colossal que fui...
 Hoje irei para o oco que sempre questionou meu ser.
 Morrerei com as delicias que carreguei deste mundo.
 Levarei o perfume das noites e donzelas.

 Passei  minha vida apreensivo com a morte...
 Hoje ela tocou sem felicitações nem vocábulo,
 Somente fez seu trabalho.
 Sem honorários e horários.

 Convidarei a morte para um vinho na mesa de um boteco!
 Instruirei para ela que antes de tirar uma vida...
 Deve-se perguntar se ela esta viva...
 Pois há pouca vida em quem está vivo muito menos do que no meu corpo no  chão.

                                                                         
                      
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Flores com Manchas 

São somente flores com manchas,
Golpes de agulhas que destroça o perfume preocupante.
Caminha pelo corpo excremento embaralhado com sangue...
Sim! A cômica culpa do ópio.

Deitado naquele quarto expelindo toda a fúria da serpente...
Corpo inconsciente dançando imóvel em colchão quente.
Teus cabelos maravilhosamente longos... outrora,
Presentemente em extrema cascata. A fraude do ópio.

Seda vermelha,  é o que outrora foi a meta do olhar.
Aqueles se anestesiam com morfina...
Outros se despedaçam com cocaína...
Ela constrói uma muralha de heroina.

Nua sobre o lado obscuro da colina de gelo...
Monstros te circulam esfriando mais ainda seu calor.
A peçonha prateada do escorpião já lhe faz pulseira...
Algemas de pura alucinação embriagando teu coração.

Vejo um tridente na ponta da seringa...
E o coisa-ruim que dança prisioneiro no frasco... no túnel...
É lançado em suas veias.
Faz sexo com o que sobrou.

Os anjos já estão perecendo...
E eu não consigo decifrar seus gestos...
Sem olhar para os rebentos dos anjos...
Mesmo assim... sou capaz de ver a pureza do suplício.

Anjos dopados pelo prodígio do homem...
Já avistam deus destorcido.
A benzedura que flui em seu sangue...
É a água abençoada de um templo falido.

Ah! Quem articularia uma gentil e suculenta overdose...
Não! Não há ninguém no recinto...
Você ânsia pela concluída vez em seu melindroso rio celeste....
Todas as drogas ficaram depravadas pelo seu sangue.

Quem sabe outrora anjos entoando cânticos...
Já adormeceram ao seu lado em um leito de lençóis rosas.
Mas com fé hoje somente vão a sua alcova de lençóis sombrias...
Para usar-te como droga sublime.
Morra em paz!


 

Ladrão do Que é Belo

Caçador da profundeza...
Assim és os olhos.
Chacinar com tanta freqüência que morre...
Assassina o que nota, morrendo e nutrindo o néctar.

Os olhos que namora o coração...
Os olhos que submerge o coração...
Os olhos que transgride o olhar...
Os olhos que expira porque vê.

Os olhos que renuncia a si mesmo...
Relatando ao coração:
Não é isso, não é não!
Nem sempre o que vejo é razão!

Gema que chove sem pretexto...
Queda-d'água de percepção...
Adultera a alma molestando seu sumo...
Irrigando a máscara com doçura de sentimentos.

Lanterna da carcaça humana...
Vê além do que pode Vê.
Meado de nos é olhar...
A outra metade é seqüela do olhar.

Camaleão das badaladas insanas...
Rubro sua flâmula de magoas.
É verossímil ver pelo olhar...
Mais do que é aceitável ver com os olhos.

Os olhos é pouco menos que um órgão sexual...
Seus lábios circulado de pêlos...
Molhado e assanhado...
Masturba-se com o que é belo.


                                     
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Febre da Madrugada cura Vinho Barato

Caso eu acorde em penumbra fria...
Cobre-me com teu pretexto de alegria.
Nessas noites turbulentas...
A febre terçã do marasmo é sedenta.

Relate que ainda é cedo...
E que podemos despontar para dançar.
Nossos amigos nos desejam,
Em altar de botecos para nos aformosear.

Vamos vestir aquela vestimenta...
Aquela que ninguém ousa vestir...
Tornaremos alienígenas na metrópole,
Alienígenas tardos e sedentos

Quero saborear o mais singelo dos vinhos...
Improvisando a mais implexas das teses...
Assim somos nos... assim são nossos amigos.
Puramente sedutores possuidores da noite.

A submersão nos etilismos noturnos...
É para peixes de rara tonalidade.
Pois a baleia famélica...
Vive no dia alimentando-se dos purgatórios.

Ouso vestir àquela camisa...
Que traz a representação de um conjunto que gosto.
Minha calça destroçada... minhas botas desbotadas.
Também transporto no peito um obelisco e lamento.

Se futuro é algum dia de ganha-pão...
Não faz pendência.
Meu letargo é minha tatuagem...
Que levo na face da demência.

Quero dançar uma composição potente...
Em porões de precário sol.
Quero uma Artêmis estroboscópica.
Deslumbrando e intensificando minha mente.

Sair de um mau sonho gélido de postura diferente.
Acordar a noite e dançar com as estrelas.
Roçar sua boca adoçada de mel indecente.
Embriaga-me e deslembrar dos espinhos.

Preciso das esquinas como se fosse fubana,
Olor prosaico confuso com pele de urbano trato.
Uma amalgamação arrogante...
Alquimia inconseqüente.

Essa noite quero viver mais um sonho...
Um surto antes da trégua...
Pássaro negríssimo, orquídea nociva.
Ambas luas, raras estrelas.

Cedi aquela sarjeta...
Ofereci a um novo eu.
A temporada passou e extenuou.
Hoje em dia tudo é meu e seu.

Perola noturna em feitio de infinito...
Unicamente os passos podem dizer.
Que em todas as noites...
Quero aspirar e despertar com você.

Que essa noite fria de pesadelos destorcidos.
Possa me dizer o que eu nunca tinha esquecido.
Que as trevas são melodia...
Para a luminária de outro dia.

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 GÓTICO UM POEMA NOTURNO

Lá vem o Indivíduo
Seu Cabelo Sol,
Sua Face Lua,
Sua Veste Escuridão.

Trás no Beijo o Mistério.
Sutileza Felina.
Olhar de Corvo.
Na fala Camões.

Campo-santo sua paisagem
No urbano seu matagal
Carrega a Cruz Como Adaga.
As Lendas Filosofia.

Suas botas tritura a Ignorância.
Anéis o transformam em Mandarim.
Suas Musicas tormentas.
O Submundo sua Casa Nobre.

Sua fala um afável trovão.
Tuas Lagrimas tempestade.
Embriaga-se com o Néctar da Uva.
Melancolia misturada com Alegria.

Tens a fome do Leão.
A certeza da Balança.
Pacato Aquário.
Rústico e Certeiro como o Escorpião

Culto filho do noturno.
Incompreendido no Diurno
Es Deus de seu Infinito.
Senhor dos Anjos.

Simplesmente,
Gótico.

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Maquiagem Umbrosa

Pintarás seu semblante com chuvas e inundações
Essa face entorpecida cairás nas negras noites
Com excêntrica alquimia e magia
Suas tintas... sua biografia.

Neste teatro de existência serás sombra da opera
Vossa aquarela de cores umbrosas...
Um vento que assobia sobre as imagens...
Efígie abençoada por ti.

Irás pintar vossa face com lua nova e estrelas...
Corvo bento, sereia de escarcéu noturnal.
És o apogeu da benignidade e confiança...
Serás uma musa das negras... negras inspirações.

Vossa tela... Vossa face... nada de disfarces...
Vossa carne de apetites e lampejos...
Vossa tinta da sedução és pinturas do coração
Intoxica vossa beleza com cores de divas.

Pinta uma gota de sangue...
Pinta um céu cândido com estrelas negras
A vossa face és tela de couro e cortesia...
Moldura crua feita pelas ervas da natureza.

Quando pinta vossa face, também pinta o vosso almejo...
Meu desejo de você me desejar... me beijar...
Vossa mascara de formosura será delineada...
Em mais uma crepúsculo de volúpia.

Lábios de sangue... rebento da morte...
Branco é a imensidade da pele...
Pintarás para sempre...
Pois sempre serás uma pintura.


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                                                                 Eliseu CF
                                                                 http://eliseucf.hpg.ig.com.br


 

  

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