Dark Poet

                                               "Sou poeta das trevas e da melancolia
                                                     Mas não choro lágrimas, choro poesia"

                            
                                                           Dalto Fidêncio 

A DOR DO SILÊNCIO

  A dor do silêncio me traz mementos
  De sua doce voz, a me tornar refém
  A me fazer sorrir em todos os momentos
  Sem medo, sem lágrimas, sem réquiem.

  A dor do silêncio agora jaz aqui
  Naquela flor tão morta, tão calma
  Pedindo um choro qualquer para si
  Sem pompa, sem vela, sem trauma.

  A dor do silêncio desatina a sede
  Da vida humana...o líquido carmesim!
  O sangue mortal cai em minha rede
  Sem culpa, sem volta, sem fim.

  A dor do silêncio se faz presente
  Saudades da luz que tive um dia
  Pois vago nas trevas eternamente
  Sem vida, sem morte, sem poesia.

 

CAIAM MUROS

 Canta teu lamento único o violino
 E as lembranças de teus lábios me elevam,
 Oh! É doce o sussurrar do hino
 Seus olhos, num sorriso, me enlevam.

 Amores impossíveis? Esperançosas juras.
 Distâncias traiçoeiras, ai de nós!
 Muros a nos separar de forma atroz
 Se evolam nuvens negras; impuras.

 Amores possíveis, ribomba minha voz!
 Empunha a Katana, destroça a muralha!
 Pois há de chegar, nosso reino de Oz,
 Prepara porém, teu coração para a batalha.

 O que é a falta de ouro ou mesmo infinitas léguas?
 Se nos amamos de alma e corpo e de corpo e alma,
 O amor, nossa arma suprema. Venceremos sem tréguas,

 Esta guerra, que nos impôs o destino num momento hirto,
 Juntos em vida ficaremos, traçado na esquerda palma
 Pois nada pode tolher um amor que já estava escrito.

   INICIAÇÃO

   Enfim tem início o ritual
   Estou em um tempo que não é um tempo
   Sob meus pés, a pele de Gaia, jamais banal
   Eu estou fora mas também estou dentro

   Este é um lugar que não é um lugar
   Cravado em um dia que não é um dia

 

   Ciclópica Lua, venha me guiar!

   Estou no limiar entre as eras

   Tocado e beijado pela brisa fria

   Dos Mistérios, teceu-se um véu
   Domo as Belas, beijo as Feras

   Que os Antigos me ajudem a beber da taça
   Protejam minha viagem e meu corpo ao léu
   Pois que assim seja, assim se faça!

  
 


 QUEM SOU EU?

 Quem sou eu, que brinco com as palavras
 Tecendo-as com nato romantismo
 Forjando poesias ao vento?

 Quem sou eu, a caminhar pelas sombras
 Respirando meu gótico idealismo
 De mãos dadas com o lamento?

 Quem sou eu, poeta das águas de março
 De frágil, empático coração
 A sofrer junto com cada amizade?
 
 Quem sou eu, insano, bruxo, vampiro
 Possuo um dom que é também uma maldição
 Por quê aos poetas é vedada a felicidade?

 Quem sou eu, a pergunta não cala!
 Parasita a navegar em minh'alma
 Bebendo da tristeza dos piscianos

 Quem sou eu, vem a mim e fala!
 Já me é impossível manter a calma
 Minhas lágrimas rivalizam aos oceanos

 Quem sou eu, começo a vislumbrar
 Eu sou a fuga, eu sou o caminho
 Sou a cacofonia, sou o silêncio

 Eu sou a aurora, eu sou o crepúsculo
 Eu sou a rosa, eu sou o espinho
 Sou Dark Poet, sou Dalto Fidêncio!

 

A MORTE DO POETA

 A sala, envolta em meia-luz, cheira à morte.
 As chamas das velas bruxuleiam, brincando aos ventos
 Carpideiras deitam lágrimas, num teatro de lamentos
 E no centro ele jaz, o poeta, já sem sorte.

 Pobre Dalto, dizem uns, tão jovem e já partiu!
 Ele parece dormir, mas sofreu o abraço eterno
 Da Dama de Negro, que o tocou e o feriu
 Levando o poeta consigo, para o Céu, para o Inferno?

 Os doutores, incapazes, de curar-lhe de seu mal
 Que não se sabe o que era, pois doença não havia
 Quem conhecia o poeta, sabe que ele não sorria
 Mais pra nada neste mundo...e isto lhe foi fatal

 Tristeza era o que tinha, o poeta apaixonado
 Pois não via sua Musa, que estava tão distante
 A saudade foi minando, as forças deste coitado!
 Que chorava poesia, com as lágrimas de Dante

 Amando tanto sua Musa, tanto, tanto, que sofria
 E não tendo-a em seus braços, caminhou ao triste fim
 Foi morrendo a cada dia, um pedaço dele assim
 Definhou então o poeta, privado de toda alegria

 E chegou então o dia, em que parou seu coração
 O poeta das trevas e da melancolia nos deixou
 Sereno, deitou-se na surrada cama sem paixão
 E com uma foto da amada, nos braços ele ficou

 Agora na triste sala, o poeta jaz sem vida
 Em seu berço eterno de carvalho esculpido
 Quem observa diz que ele não parece ter morrido
 Mas que apenas dorme ali, sonhando com sua querida

 Poderiam ainda sonhar, mesmo aqueles que partiam?
 Seria isto um fato, alguém poderia afirmá-lo?
 Mas os que sabem do imenso amor que eles sentiam
 Não duvidam que da Musa, nem a Morte poderia separá-lo

 Partiu aquele poeta, que não conheceu a felicidade
 Que teimava em escrever versos, com seu coração ferido
 Que víamos a recitar, sempre com seu olhar dorido
 Deixou-nos seus poemas... os seus versos de Saudade!

Ir para:

   VOLTAR AO ÍNDICE DE POESIAS




OUTROS POEMAS
 

   

 

 Para Rever o Portal