Arquitetura
Neogótica

Arquitetura Gótica

Catedral Praça da Sé

Catedral de Hagia Sophia

 

 

 

 

 

 

 

  PARTE 1    
IMPÉRIO ROMANO
ARQUITETURA ROMÂNICA
 AS CRUZADAS E OS TEMPLÁRIOS

 


  PARTE 2
ESTILO GÓTICO
ASPECTOS TÉCNICOS DA ARQUITETURA GÓTICA
SIMBOLOGIA MÍSTICA

                

   O ESTILO GÓTICO.
    
A Catedral verticaliza-se.


Estudiosos dizem que as primeiras abóbadas ogivais, em solo europeu, datam do ano de 1122.
Em 1150, o Estilo Gótico, ou Ogival, aparece no sul da França.
O estilo gótico foi de início, menosprezado pela Igreja Católica Romana.
Os eclesiásticos o associavam aos pagãos. Mas, o fato é que
ele solucionava as limitações que o estilo românico impunha aos Arquitetos
Construtores da época. Hoje, afirma-se que não teriam sido possíveis as edificações das Catedrais Européias, sem o advento do Estilo Gótico.
Tudo o que a Igreja Católica Romana almejava, o estilo gótico lhe proporcionava.
As paredes das construções ficaram mais finas.
 As janelas se alongaram na vertical.
Enormes rosáceas frontais, amplamente decoradas com vidros coloridos
proporcionavam ao interior das Catedrais, luz matizada, que a todos encantava.
As construções se estenderam na horizontal e na vertical.
Graças às vigas entrecruzadas nas abóbadas, o peso das cumeeiras (crucial problema do estilo Românico) pôde ser dividido em feixes de belas colunas internas, aliviando o peso nas paredes de sustentação.

 


 
           

 

 

 



 O domínio das técnicas de construção góticas era agora do conhecimento dos arquitetos construtores, que, doravante, contratavam com a
 Igreja Católica Romana, de igual para igual, em uma relação
contratual,  não mais de subordinação, como no passado.
 Impunham condições, estabeleciam exigência para a execução dos serviços. Esses construtores, unidos em confrarias, viriam a ser considerados, séculos mais tarde, maçons operativos, dando origem à Maçonaria.

E a Igreja Católica Romana depara-se com um dilema.
Por um lado, em seus concílios estabelece proibições às Corporações de Ofício, por causa do segredo profissional, com ameaças de excomunhões e, por outro lado, a Igreja Católica
necessitava do engenho dos Arquitetos Construtores para edificar as suas Catedrais, cada vez mais altas, cada vez mais iluminadas, cada vez mais decoradas, mais fantásticas.

Em algum momento desta época (início do séc. XII), as Corporações de Construtores procuram se organizar, para fazer frente às proibições da Igreja e salvaguardar o trabalho, resultando nas origens da Maçonaria Operativa, que, além dessa técnica de construção, guardavam também os segredos do conhecimento dos Antigos Mistérios, trazidos para a Europa através dos Templários. A palavra “maçon”, em francês, significa “pedreiro”.
Hoje a Maçonaria é Especulativa, isto é, transmite seus mistérios através de alegorias e símbolos, e não mais têm atividades construtivas, como os Operativos da Idade Média.

 

A ordem dos "Pedreiros-Livres" surgidos no século IX (fase operativa) e da Maçonaria atual, a partir de 1717



A seguir, alguns aspectos técnicos da Arquitetura Gótica

A construção gótica, de modo geral, se diferenciou pela elevação e desmaterialização
das paredes, assim como pela especial distribuição da luz no espaço. Tudo isso foi possível
 graças a duas das inovações arquitetônicas mais importantes desse período: o arco em ponta, responsável pela elevação vertical do edifício, e a abóbada cruzada, que veio permitir a cobertura de espaços quadrados, curvos ou irregulares.

Os arcos de meia circunferência usados nas abóbadas das igrejas românicas faziam com que todo o peso da construção fosse descarregado sobre as paredes. Isso obrigava a um apoio lateral resistente: pilares maciços, paredes mais espessas, poucas aberturas para fora.
O espaço para as janelas era bem reduzido e o interior da igreja escurecia.
O espírito do povo pedia luz e grandiosidade.
 Então como conseguí-las?
O arco em meia circunferência foi substituído por arcos cruzados.
Isso dividiu o peso da abóbada central, fazendo com que ele se
descarregasse sobre vários pontos, simultaneamente, podendo ser
 usado um material mais leve, tanto para a abóbada como para as bases de sustentação.

 Em lugar dos sólidos pilares, finas colunetas passaram a receber o peso da abóbada.

As paredes, perdendo sua importância como base de sustentação, passam a ser feitas com um dos materiais mais frágeis de que se dispunha: o vidro.

Surge a desejada luminosidade. Grandes vitrais coloridos ilustram em desenhos cenas da vida cristã. A magia dos vitrais góticos, que filtram a luz do sol, enche a igreja de uma claridade mística que lembra a presença divina.

 

 

 



Simbologia Mística
(Ela não é um edifício administrativo, mas um corpo vivo de “pedras que falam”)

Antes de entrar no simbolismo da Catedral, é obrigatório parar um pouco sobre o termo “gótico” empregado nesta arte edificatória.

Uma explicação curiosa, no limite da fantasia é a de Fulcanelli, que diz:
“Alguns pretendem, levianamente, que esta palavra derive dos Godos, antigo povo da Alemanha. Outros, que também é a opinião da Escola Clássica, crêem que, pela sua originalidade, esta arte, que fez escândalo nos séculos XVII e XVIII, fosse chamada por escárnio, impondo-lhe um nome sinônimo de bárbaro.
Na verdade, existe uma razão obscura que deveria fazer refletir nossos lingüistas que estão sempre pesquisando a etimologia. A explicação vem de fato pesquisada na origem cabalística da palavra.
 Alguns autores perspicazes perceberam a semelhança que existe entre gótico e goético, pensaram que deveria haver uma estreita relação entre Arte Gótica e Arte Goética, ou mágica. Os iniciados sabem, porém, que Art Gotique não é outra que uma deformação da palavra artgotique, cuja homofonia é perfeita, conforme as leis fonéticas que regulam a Cabala.


A Catedral é, portanto, uma obra prima da ART GOTH, ou do ARGOT. Os dicionários definem o ARGOT como a linguagem particular daqueles indivíduos que se interessam em trocar suas opiniões sem serem compreendidos pelas pessoas ao redor, como uma linguagem cifrada, uma verdadeira Cabala falada.“
 

 


As civilizações tradicionais sempre tiveram como objetivo conciliar o mutável com o imutável, o solvente com o coagulante, porque a harmonia entre os contrários é o primeiro passo verdadeiro da Iniciação e a primeira operação da Grande Obra Alquímica. O ensinamento tradicional é claro: existem duas “cidades”. Aquela do céu e aquela da terra, aquela de Deus e aquela dos homens, a Jerusalém Celeste e a Jerusalém Terrestre. A Catedral, que tem a sua base na Terra e se alça em direção ao céu, é o símbolo vivente da unidade criativa do Grande Arquiteto do Universo.

O iniciado constrói na Terra a sua Catedral para que o mundo de baixo seja correspondente àquele do alto. A Catedral torna o Universo perceptível, porque é organizada segundo o Verbo e não segundo um racionalismo qualquer. Ela não é um edifício administrativo, mas um corpo vivo de “pedras que falam”. Os Mestres aprendiam desde o início as leis da Harmonia. Através da iniciação eles tinham acesso a um estado interior necessário para compreender esses valores harmônicos. Conseqüentemente a profissão aprendida através dos anos permitia manifestar-se na pedra, e seu percurso espiritual transitar nos símbolos que velavam, mas não escondiam, o caminho a seguir. As Catedrais são bússolas, pontos de referência na floresta dos símbolos, que falam claramente só a quem transmutou seu modo de raciocinar e de pensar. A Catedral, nas suas esculturas e na sua geometria, contém realmente o alfabeto necessário para decifrar o livro sagrado que encarna. Livro aberto, porque ofertado à visão de todos, mas livro fechado se nosso pensamento e nossa vida não estão em harmonia com a mensagem que ela transmite.

 Em todo o mundo antigo e tradicional as partes de um Templo tinham um simbolismo próprio, um significado preciso que unia Arquitetura e Consciência.
É curioso notar que todas as Catedrais Góticas do século XIII são dedicadas a Nossa Senhora, isto é, à Virgem. E é mais curioso ainda que a localização destes edifícios sagrados nos permitem traçar, sobre a Terra da França, quase com perfeita correspondência, a constelação da Virgem, tal e qual se vê no céu. Isso explica como em um pequeno burgo, como devia ser Chartres em 1200, tenha sido construída uma esplendida e caríssima Catedral. Houve tempos em que as câmaras subterrâneas dos Templos serviam como morada da Ísis Negra. É notório como o simbolismo da Ísis dos Pagãos foi absorvido pelo cristianismo da Virgem Maria. As estátuas negras da Ísis se transformaram nas estátuas das Virgens Negras que reencontramos nas criptas das Catedrais Góticas. Tanto umas como as outras mostram em sua base a inscrição que encontramos na Virgem Negra de Chartres – Virgem grávida – a Virgem parturiente, cujo significado, nem mesmo tão escondido, se pode comparar ao da terra antes de ser fecundada pelos raios do sol.

 

A planta de uma Catedral é sempre em forma de cruz. O braço horizontal corresponde aos equinócios e aos solstícios, enquanto o braço vertical corresponde a um simbolismo polar, aos pólos com relação ao plano do equador. A consciência da planta em cruz nos permite ler o mundo, perceber a arquitetura.
 
No centro da cruz,
no ponto de encontro entre a horizontal e a vertical, o homem se encontra no centro do mundo, mas também do seu ser. Não é por acaso que neste ponto das Catedrais Góticas se situa o altar-mor.
Em todas as Catedrais Góticas se nota um curioso fenômeno:

O eixo da nave central
não é o prolongamento exato do eixo do coro. Esse desvio do eixo não é devido a um erro do projeto, mas sim proposital. Esse é um símbolo já presente no antigo Egito, onde o exemplo mais evidente é o Templo de Luxor. O desvio do eixo é uma espécie de ruptura, uma fronteira invisível entre duas ordens de realidades diversas. Uma ruptura entre a nave, lugar da consciência racional e o coro, lugar da consciência absoluta. A simetria é morte, a assimetria é vida, afirma o pensamento pitagórico. O desvio do eixo é uma das manifestações mais claras de uma assimetria criativa que desvia a linha diretamente da razão.
As Catedrais, como outros edifícios sagrados, são rigidamente orientadas com o abside para
o
leste, ponto geográfico onde nasce o Sol. 
Ao
norte, onde tudo é escuridão, tem sempre um portal rico em simbologia relativa ao início da vida iniciática. É no portal norte da Catedral de Amiens que os alquimistas se reuniam para discutir sobre o início da Grande Obra.
A oeste, freqüentemente se encontram baixos relevos sobre o juízo universal e
no
sul uma grande rosácea que faz filtrar a luz do sol em toda a sua força.
Externamente os portais são colocados uns sobre os outros, em um átrio coberto, onde se colocavam os profanos antes do batismo. Lugar ainda não sagrado, mas não mais pertencente ao mundo profano, último aviso a criar em nós um estado interior consoante com a espiritualidade do interior do Templo.


A nave
, como bem exprime a palavra, é arquitetonicamente um navio ao contrário. É o símbolo da Arca onde embarcaram os Sábios para viajarem através da luz.
A nave encarna a razão, não no sentido moderno do termo, mas no sentido tradicional, isto é, a soma das leis que constituem o Sagrado. Quem percorre a nave já está no caminho e pisa um pavimento, hoje em dia completamente refeito, mas que era originalmente um mosaico branco e preto para evocar a dualidade do nosso mundo.


No início do pavimento da nave central era colocado o Labirinto. Quase todos foram destruídos, mas em Amiens (refeito) e em Chartres (original) ainda permanecem a testemunhar uma sabedoria secreta. No calçamento das nobres igrejas, são um símbolo de uma riqueza inesgotável. Geralmente de forma circular, eles existem também na forma octogonal e quadrada. Têm sua origem no Labirinto de Creta, arquétipo da mitologia grega, onde o rei Minos faz aprisionar o Minotauro, metade homem, metade touro, filho da traição de sua mulher e rainha, Pasífae. Dédalo, arquiteto do labirinto de Creta, o construiu cheio de corredores que se entrecruzavam e de aposentos dispostos de tal maneira que quem neles entrasse não mais conseguiria sair.

Dédalo foi o arquiteto inspirador que na Idade Média serviu de modelo a todos os construtores. Há representações nos lugares da construção do labirinto, como na catedral de Reims,
de uma figura que representa o mestre de obras, verdadeiras charadas como se fossem assinaturas de um feito.

Colocados nas portas das cidades fortificadas ou no eixo central das Catedrais, os labirintos estavam para proteger dos inimigos e das influências malignas.

Eles  permitem que, ao caminhar em direção ao seu centro, como uma viagem iniciática, possa, em um exercício avançado e introspectivo, desenvolver o seu "eu", oculto para um não iniciado, mas também de conhecimento superficial para os iniciados que não se aprofundam. Fica inacessível e de certa forma interditado àqueles que não estão qualificados, notadamente porque demonstram estarem perdidos ao caminhar dentro do labirinto.

 
                  
                                                       
Reims - França

O gótico é um sistema arquitetônico que se baseia naquilo que chamamos volta em cruz.
 A ogiva em cruz
se baseia no princípio da transformação dos esforços laterais em esforços verticais. É um conjunto de impulsos dado à pedra para que a abóbada não pese muito, mas se lance do alto através dos contrafortes laterais. O monumento gótico exige a existência de uma proporção perfeita entre peso e esforços.

É o objetivo sublime de aproximar o homem de Deus Todos os detalhes são estudados para que possa lograr um sucesso esplendoroso:gigante como o paraíso na terra, capaz de abrigar toda a população de uma só vez toda uma vila , a catedral de Chartres por exemplo abrigava 10.000 pessoas, alta com 37 metros de altura estar bem perto do céu de abobadas curvas, azuis construídas para onde nasce o sol, de onde vem a luz.

Fiéis entrando pelo ocidente caminhando para o oriente deixavam para trás o julgamento final,representado pelo portal ocidental. Morriam para a vida pecadora terrestre e nasciam para a vida celestial, sublime indo ao encontro do Criador.
As catedrais exigiam muita luz porque Deus é luz - As paredes rasgadas, os vitrais crescentes e todo um conjunto potenciava energia cósmica

A rosácea é a primeira representação luminosa da transfiguração, representada pelo sol, Cristo, a roda da vida, a origem e o planejamento da existência do homem.embora ñ emanava luz visível, mesmo assim talvez fosse a mais importante.obras primas inigualáveis da arte vitral, ensinam dois elementos essenciais do pensamento: andar da periferia para o centro e vice-versa. A sua imobilidade é só aparente, na verdade elas estão sempre em movimento de acordo com os ciclos eternos do Cósmico. Eles são o símbolo não só da roda, mas também da rosa mística que representa a ação do fogo alquímico. E é por isso que os arquitetos góticos procuraram transferir para as rosáceas de pedra uma imagem de fogo em movimento sobre a matéria. O coro da Catedral é comparável ao Santo dos Santos, é a cabeça, é o oriente. No coro é colocada a cadeira do Bispo, exatamente ao leste, onde nasce a luz,

No interior da Catedral de Chartres, na nave lateral oeste do transepto sul, há uma pedra retangular incrustada, enviesada ao piso, cuja brancura ressalta nitidamente sobre a cor cinza do restante. Essa pedra está assinalada por uma peça saliente em metal dourado. Cada ano, no solstício de verão, em 21 de junho, se o sol está brilhando, ao meio dia, um raio que filtra de uma abertura no vitral de Santo Apolinário vai atingir essa pedra. Acredito que esta seja a prova definitiva contra os céticos que acreditam ainda que as Catedrais Góticas são simples Igrejas.