Anja da Noite

 

  A MORTE DE UM ANJO
  SOLITÁRIOS DA NOITE 
  ESTÁS JUNTO Á TI


  

A MORTE DE UM ANJO

As lágrimas ardem quando caem
Sobre meus pulsos cortados,
Mas eu sinto uma dor diferente,
Por eles vejo toda minha pureza indo embora

Já não basta apenas o vento em minhas asas
Para que eu possa voar
Um impulso! E me atiro do mais alto dos prédios
- minhas asas se despedaçam como vidro ao chão

A cera quente que escorre de meus olhos
Dão uma nova feição ao meu rosto
Desfigurado, diferente de tudo que já fui um dia
Não me reconheço mais

Meu vestido branco rasgado, tingido de sangue
Não diz mais de onde vim
E minha aureola já fôra encontrada,
E penhorada em um banco qualquer

Ajoelhado no chão, vendo meus pedaços por toda a rua
Tento somente a Lua, como testemunha desta dor
Sou imortal e descrente,
Não mais digno de ser um anjo

Rasgando meu peito,
Pra que dele saia todo o amor, toda a maldição
O fim daquilo que eu era,
O começo de uma nova existência, de dor e perdição

Abandono o céu, excomungo a mim mesmo
Me entreguei ao 7º filho de Lúcifer
E desse amor, tive apenas a destruição
E a morte do que fui um dia...

 


SOLITÁRIOS DA NOITE

A lua,
Soberania dos céus
Derrama seu véu de prata
Sobre o nosso santuário de amor:
Calmo, silencioso, sombrio
Sobre os túmulos,
Contamos estrelas,
Dividimos sonhos,
Fazemos amor...
Esquecendo assim as angustia, amarguras,
Restritas ao mundo da luz
Distante do nosso reino de trevas:
Translúcido, único e sincero
Em eterna quietude,
Calmaria quebrada somente pelo ruído dos ventos
Fazendo a folhagem seca,
Nesse cenário mórbido e brilhante, dançar
Ah, Amada! Única flor em meu destino
Companheira das noites eternas e flébeis
Quando o mundo da luz desmorona em espinhos,
Faz a vida renascer sobre os túmulos...


 

ESTÁS JUNTO Á TI

Se abrir meu peito com um punhal
verás quão negro é meu sangue
A dor, a amargura,
Apodreceram minh’alma
Meu sangue é o reflexo do meu espírito:
Consumido pelas chamas negras do inferno
Há quem acredite em Deus?
Dizem que Ele é poderoso,
Protege todos - a mim não!
Oh! Simples mortais, se agarram a tudo
Para fugir da realidade
Quem é Deus?
O que é Deus?
Não me diga que é o centro do universo!

Quem governa o mundo!
Eu não creio em Deus,
Na inocência, no pecado, no perdão!
Eu não creio na vida...
Ela não me é verdadeira, nem bela
Ela é fétida e escura
Deus, Deus... Me diga onde estás?
Se existisse não me deixaria em tamanha desgraça
Por que não Consumistes minh’alma?
Por que Levastes quem tanto amei?
Por que?
Quem é Você pra me tirar a felicidade?
Que Você pensa que é?
Você me enoja, Você não é nada!
É um Deus amargo, infeliz
Que leva a felicidade dos outros
E Se satisfaz com a desgraça em que os deixa
Você me tirou tudo!
O único ser a quem eu entreguei o meu amor,
A criatura mais linda, Você me levou...
Me diz quem é você?
Ser medíocre, hipócrita, sem caráter, sem alma!
Sem coração...
Vamos, Leve a mim também!
Abra meu peito, veja meu sangue:
Negro...
Conte quantas lágrimas chorei!
Quantas vezes te amaldiçoei!
Me diz o que é certo, o que é pecado
Me diz porque Você levou minha felicidade
Onde Você mora?
Em um céu negro, escuro, nojento como Sua alma!
Como o meu sangue, minha dor,
Meu desespero, minha angústia, minha desgraça!
Me diz o que fiz de errado?
Amar?
Isso é tudo o que fiz!
Há algo errado em amar?
Me diz?
E enquanto sua resposta não chega,
Vago na noite a cantar:
"Deus, onde mora a felicidade
Em meu peito só há saudade
E me diz
Por que a dor não vai embora?
Quando a luz chegar a chuva chora
E me diz
Que quem tanto amei partiu
E estás junto á Ti..."


CANTEIRO SEPULTADO


Havia um canteiro,
Havia sonhos
Morreram os sonhos,
Chegaram os morcegos
Só sobraram os espinhos
Do meu canteiro
Havia flores,
Havia um sonho,
Chegaram os morcegos
Só sobraram os espinhos
Sobre a sepultura, na qual, repousa um corpo,
Sentimentos, flores e sonhos
Verdadeiro amor,
Minha flor, meu canteiro,
Mataram minha flor,
Roubaram meu canteiro
Enterraram meus sonhos,
Partiram os morcegos...


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