
POE
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Quem Foi
EDGAR ALLAN POE
O autor de Manuscrito
Encontrado numa Garrafa morreu aos 40 anos, em 7 de outubro de 1849 – e o seu
último suspiro, século e meio adiante, ainda vem fascinando tanto seus
admiradores quanto seus detratores.
Célebre por seus contos góticos, seus poemas
sombrios e suas narrativas arrepiantes, o escritor norte-americano Edgar Allan
Poe tornou-se, 150 anos atrás, o autor involuntário de uma das maiores fabulações
de todos os tempos: as circunstâncias que levaram a sua própria morte e o que
se especulou sobre elas.
De tempos em tempos, pipocam novas teses sobre o
misterioso fim do escritor. E são artigos sérios, de pretensão científica,
publicados em revistas médicas. Inspirados pelos parcos
relatos dos contemporâneos de Edgar Allan Poe, médicos, pesquisadores e críticos
literários promovem uma espécie de autópsia permanente. A cada nova tese, tem
correspondido uma antítese.
No que todos os estudiosos parecem concordar é que
Edgar Allan Poe morreu em alguma hora, erma e sombria, depois das
três da madrugada e com certeza antes das cinco. Todos assentem igualmente que,
quatro dias antes de sua morte , o escritor foi recolhido de uma sarjeta, numa
rua malvista, na cidade de Baltimore.
Estava pálido e trêmulo. Internado no W. College
Hospital, passaria a maior parte dos seus dias derradeiros num estado de
semiconsciência. Tinha febre, espasmos e delírios. Chamava continuamente por
um tal de “Reynolds”, que até hoje ninguém conseguiu apontar quem fosse. A
sua frase final teria sido um apelo às hostes celestiais:
– Lord help my poor soul. ( Senhor, ajude minha pobre
alma. )
A tese mais popular é de que tudo foi efeito do álcool
– o próprio Poe nunca escondeu o seu gosto pela bebida. A maioria dos biógrafos
conta também que, no dia em que o escritor apareceu na sarjeta, havia
transcorrido uma das mais fraudulentas eleições da história de Baltimore, com
muita pancadaria. Poe teria sido uma das vítimas. Ele sofreria ainda de
tuberculose, ou epilepsia, ou diabetes, ou teria uma lesão cerebral, algum mal
no coração, ou uma combinação disso tudo.
Todas essas hipóteses talvez configurem apenas, ou
sobretudo, uma tentativa de riscar um paralelo entre a produção literária de
Poe – tão perturbadora, tão cheia de elementos sobrenaturais, corvos hieráticos,
amores perdidos – e sua própria vida (morte, no caso).
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Contos:
O Gato
Preto
O
Corvo
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