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O conteúdo dos poemas aqui apresentados como:  palavras termos, intenções são originais dos autores,copiados na integra

 

 

 

 POESIA DE SEMPRE PARA SEMPRE

 

 

 

 

 

 

  

DEMÔNIO ANGELICAL

 

Ah! Demônio sangrento atormentado!

Por ti, minha vil mente só suspira!

Meu corpo intensamente cai e transpira

Ah! Demônio sangrento atormentado!

 

Nos negros olhos: cor viva do tédio

As vestes lutuosas, pretas, góticas...

Curvas no corpo tão belas e eróticas...

Nos negros olhos: cor viva do tédio

 

Mas na boca, há lascívia e até pureza:

Tu me beijas com tanta força e ardor,
E tu me falas coisas sobre o amor...

 

Com as coisas do amor casto e sublime

Não há nada no mundo que assim rime...

Ah! Lindo anjo repleto de nobreza!

 

 

 

Ó BELA MORTE

 Ó bela morte, minha namorada,

Pra uns tristeza, já pr'outros desejo...

Teu puríssimo, lindo e único beijo,

Retira a dor de um'alma atormentada.

 

Dispa meu luto, sinta a imaculada

Pele minha e pra mim faz um cortejo!

E então, mata-me como tanto almejo,

Converta meu terrível corpo em nada!

 

 Leva-me para o obscuro, para o Além!

Leva-me para longe deste mundo!

Leva-me para perto de meu Deus!

 

Beija e morda as carnes e braços meus!

Leva-me deste mar de sangue fundo!

E livra-me de todo o Mal, Amém!

 

 

 

ANJO MORTO

 

Só e perdido na mais negra necrópole,

Encostado na cruz de um vil sepulcro,

Revelando um sorriso puro e pulcro

No mais distante ponto da metrópole.

 

Anjo defunto, corpo cadavérico...

Carnes magras, sublime e santo rosto,

Em que o célere tempo deixou posto

Um grito morto, um canto forte e histérico.

 

Apetecido, surge ele tão vivo,

Pra eu cometer meu próximo delito.

Dragão que se aproxima tão lascivo,

 

E me deixa perdido em mais conflito,

E crava em mim seus dentes diabólicos,

E vê graça em meus olhos melancólicos!

 

 
 

 

JÓIA

O vaso de alabastro e de oferendas

Dedicado ao supremo deus Sol: Febo...

''Eu te dediquei mil flores e prendas,

Pálido virgem, lânguido mancebo! ''

 

Augusta forma, fino vaso helênico,

Obra de arte perfeita e tão brilhante...

'' O teu corpo expressivo, belo e cênico

Brilha perfeitamente, casto amante! ''

  

O vaso pagão, jóia das grandezas,

Do qual o povo longínquo se serviu,

Louvado é por museus priscos, tristonhos....

 

'' Mas teu corpo que nunca se sentiu,

Ícone da pureza das purezas,

Só por mim é adorado em doces sonhos! ''

  

 

 

 



MEU PASSADO


 

                     ''Abro a janela, quanta luz...'' Rinaldo Gissoni

 
Algumas vezes, ponho-me à janela

Serenamente, toca-me uma luz...

Algo azul, bom ardor que me seduz!

Verdadeira lembrança meiga e bela.

 

Vários seres desfilam para mim.

Passam leves, sutis e evanescentes...

Cravos lívidos, mortos, displicentes

Que brotam neste meu triste jardim...

 

Em ti, janela, quanto medo e horror!

Quanta distância, quanta dor, maldade...

Tu te tornaste a imagem do pavor!

 

Por isto, quando eu vejo algum ser mágico

Que deveria ser felicidade,

Vejo o como este meu jardim é trágico!

 

 

 

  

 LADO OBSCURO

 

Lado obscuro no dorso branco e nu...

Ah! Que carne vestida de alvo leite!

Nos teus músculos mui quero deleite.

A lascívia que lambe o lírio cru...

 

Tu tens asas sombrias de urubu...

Pois se tu me revelas claro enfeite,

Não, não há luz, portanto, que se deite

No tecido mais lúgubre que és tu!

 

Tudo corre entre sombras e mais luz...

O teu corpo de Cáucaso, algo impuro,

Ao terrível negrume me conduz!

 Tu és nívea luxúria, sol no escuro,

O mais cândido luto que reluz.

Porque é vida raiada o lado obscuro!

 

 

 

 

NOITE SILENCIOSA

 

 Agora, as noites são longas, vazias...

Oh! Triste madrugada torturosa,

Que através destas brisas más e frias,

Revela uma amplidão silenciosa!

  

Agora só ficaram nostalgias,

Noite lenta, simplória e tenebrosa,

Silêncio intenso e fúnebre. Sombrias

Névoas cobrem a Lua lacrimosa...

  

Na noite em que eu não estava assim, sozinho...

As horas não passavam devagar.

Anjo flor rapidez vida cantar,

  

Amor bonança dor saudade infinda!

Depois daquela noite alegre e linda,

Perdido estou por este descaminho.

  

 

 

 

GIRASSOL

 Dança, Mitra, revela a juventude

Rodopiando pelo Sol feliz!

Dança expondo a sublime pulcritude

Do corpo sem nenhuma cicatriz...

 

Canta, Mitra e nos leva à plenitude

Vestindo e revestindo a brisa gris

De cores ardorosas de amplitude,

Seja a brisa a suprema imperatriz!

 

Surja, Mitra, na ausência do Rei Sol,

Nestes versos tão simples e minúsculos...

Sê meu guia, rapaz, o meu farol!

 

Gira, Mitra, mostrando os grossos músculos!

Lascivamente dança, girassol!

Aurora de tantíssimos crepúsculos!

  

 

  

SEM NINGUÉM

 ghazal

 

A teus Pés eu me sinto sem ninguém

Porque tuas mãos trazem-me desdém
 

Contemplando teus olhos eu me vejo

Perdido na amplidão do teu além

 

Belos braços tens, quanta força e fogo

Somente p’ra matares mais alguém

 
Uma boca, perfeita pedraria

Que fez um novo e pobre ser refém

 

Em teu peito não há nem coração

Dorme apenas a morte e mais ninguém

 

 

PLENO DE ESPLENDOR

 

"O grito que ora prendo é só por ti..."

  Grita a Cruz as virtudes esquecidas

Gotejando fulgores, uns matizes

Que invadem minhas lúgubres feridas...

 

Há sacrossantas flamas que, em deslizes,

Encantam-me num êxtase de vidas

Dando alvuras aos sonhos infelizes

 

E penso que és tão pleno de esplendor

 

Porque o cedes a todos com amor!

 

 

  

LUX SINE LUCE

 

 Ah! Luz libidinosa que irradia

E atormenta por ser inacessível.

Este meu sonho tão puro e impossível

É a mais amarga e doce fantasia!

  

Esta imagem divina e inesquecível,

Pesadelo terrível, poesia...

A beleza na luz sem luz horrível,

Eis a perfeita dor: quanta agonia!

  

Esta luz! Esta noite! Esta tristeza!

Tudo isto me levando a uma paixão,

Pois desde que vi esta luz beleza

  

Nunca mais conheci a vida, a razão!

Luz sem luz, impureza da impureza,

Esta luz que se chama escuridão!

 

 

 

  BELEZA



Pétalas belas, pluma bem brilhante,
Brisa tu és, sublime bruma amante,
Que me bebe no abraço brutamente...

Braços abertos, brunos paraísos,
Pelas vagas dos beijos imprecisos,
Pelo bravo brasão palidamente...

Pétalas murcham, plumas caem tortas...

Braços flácidos ficam, brumas mortas...

 


 

 

 

 

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